Boa postura e ergonomia contra a L.E.R.

Publicado em Saúde 

Modificar as condições de trabalho utilizando critérios ergonômicos, cuidar da postura, pausas de dez minutos a cada hora durante o trabalho são pequenas atitudes que podem prevenir a Lesão por Esforço Repetitivo (L.E.R.). 
Conversar sobre as situações que estejam gerando mal-estar e ansiedade também é uma dica da professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social, Ada Ávila, para evitar os distúrbios musculoesqueléticos ocupacionais, que estão no primeiro lugar nas estatísticas de doenças profissionais em países industrializados.

A especialista caracteriza a doença como incapacitante, ou seja, o individuo que possui a lesão tem de se afastar imediatamente do trabalho, porque a exposição agrava ainda mais a lesão. “A principal dificuldade que encontramos no tratamento da L.E.R. é o afastamento. Não necessariamente o desemprego, mas sim da quebra brusca na rotina” conta a professora, que também é autora do livro “Lesões por Esforços Repetitivos: guia para profissionais de saúde”. Ada explica quais as causas da L.E.R., como identificar e qual o tratamento para a doença.

Causas
De acordo com a professora, os principais fatores de risco são uso de força e esforços físicos excessivos, repetitividade dos gestos e dos movimentos, posições extremas e vibrações originadas de máquinas.

Os principais distúrbios que entram na gama da L.E.R., segundo a especialista, são as inflamações dos tendões dos antebraços, punhos e ombros, em trabalhadores que realizam trabalho repetitivo e usam de uma postura estática por exigência da tarefa.

Fases
O distúrbio é divido em quatro fases, e cada uma é caracterizada por sintomas específicos. Na primeira fase, a dor aparece apenas durante os movimentos e é difusa, ou seja, não é possível definir exatamente que parte do corpo está doendo. Na segunda fase a dor se torna mais persistente. Se a L.E.R. for identificada nessas primeiras fases pode ser curada facilmente.

A partir da terceira fase a doença passa a ser crônica, dificultando sua cura. A dor se manifesta em forma de pontadas e choques, e não passam mesmo quando em repouso, o que pode causar insônia. As inflamações se tornam um processo degenerativo, que pode afetar os nervos e os vasos sanguíneos de maneira prejudicial. Na quarta e última fase, os processos infecciosos podem causar deformidades, como cistos, inchaços e perda de força nos membros. A dor pode se tornar insuportável, e até atividades comuns da vida diária, como escovar dentes e cabelos, tornam-se impraticáveis.

Tratamento
O tratamento da doença varia de acordo com a região atingida, o que leva ao primeiro passo para o diagnóstico: localizar qual a parte afetada (tendão, nervo, musculatura). O próximo passo é saber a gravidade da lesão, para indicação de um tratamento adequado, que pode ser fisioterapia e medicação orientada pelo médico.




Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG
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