Saudável lucro

Nos últimos 20 anos, numerosos estudos sobre a promoção de saúde no local de
trabalho têm quantificado a relação entre boa saúde e aumento de produtividade.
Grande parte desses estudos tem seu foco no impacto dos programas de promoção de
saúde sobre o absenteísmo. Um dos resultados mensuráveis de um programa de
promoção de saúde bem desenhado e adequadamente administrado é um empregado
mais saudável. Conseqüentemente, com empregados mais saudáveis, a quantidade de
licenças de saúde será menor. O resultado final é um maior número de horas produtivas.
Acompanhe o cálculo: se uma companhia tiver 1 000 empregados e cada um deles
tiver 2 000 horas de trabalho por ano (40 horas por semana x 50 semanas), a
capacidade máxima de trabalho sem horas extras que essa força de trabalho pode
fornecer é de 2 milhões de horas. Se a média de afastamento for de 10 dias por ano
(8 horas por dia), as horas de trabalhos reais, aplicadas a produtividade deverão ser
ajustadas para 1,92 milhões de horas, uma queda de 4% da capacidade total.
Vamos assumir que a capacidade de trabalho de cada empregado é de quatro vezes
seu salário total. Se o salário for de 20 mil reais por ano, então a produtividade
esperada será de 80 mil reais ou 40 reais por hora. Para calcular a quantidade de reais
perdida por dias ausentes pelos 1 000 empregados, simplesmente multiplique os 40
reais por hora x 80 000 horas ausentes no ano, chegando a um valor de 3,2 milhões
de reais como perda em produtividade. Se um programa de promoção de saúde tiver
sucesso na redução do número médio de dias de afastamento de 10 para 7,5 dias, o
ganho líquido em produtividade seria de 800 000 reais. Além disso, faria sentido
assumir que a empresa também tenha alguma redução nos gastos de assistência médica.
Mas não adianta apenas o funcionário estar presente no trabalho. Isso nem sempre
significa estar produzindo. Em média, o trabalhador opera entre 65% e 70% de seu
potencial quando presente. Se uma empresa investe no desenho, no desenvolvimento
e na operação de um programa de promoção de saúde, atendendo as necessidades e
interesses de seus empregados, o potencial para aumento na produtividade dos
trabalhadores presentes no trabalho é significativo. Essa é uma boa maneira de
atender a pressão cada vez maior por resultados e produtividade. Mas não basta
apenas isso. As horas gastas no local de trabalho já estão em seu limite. Por conta
disso, as companhias estão procurando outras maneiras de aumentar a produtividade.
É nesse ponto que a saúde e a vitalidade dos empregados viram variáveis importantes.
Todos sabemos por experiência própria de que o modo como nos sentimos
(fisicamente, mentalmente, socialmente, e espiritualmente) afeta e influencia nossa
produtividade. Entretanto, equilibrar a vida profissional e a pessoal tem se tornado um
desafio, não só porque o empregado trabalha mais e por mais tempo, mas também
porque tem um limite cada vez menos claro entre tempo de trabalho e tempo de
descanso. As tecnologias que, em tese deveriam facilitar nossas vidas, tem nos
deixado vulneráveis pela invasão freqüente de nossa privacidade. Isto resulta em uma
taxa maior de estresse, o qual por sua vez leva a problemas físicos e mentais com
maior frequência (ex: dores musculares, depressão, etc).

Ricardo de Marchi
Consultor e sócio da CPH Tecnologia e Saúde