Ergonomia - Promove saúde e qualidade de vida no trabalho



Ergonomia e ginástica laboral

Muitas pessoas ainda fazem confusão em relação aos objetivos da ergonomia e os da ginástica laboral. É preciso enfatizar que ergonomia não é, nunca foi e jamais será ginástica laboral.

Há empresários que afirmam ter a ergonomia implantada na gestão de sua empresa, mas quando se tem um contato mais próximo com a realidade da referida empresa, percebe-se que há ginástica laboral e nenhuma ação ergonômica. Cuidado com essa visão equivocada!

Dentre os múltiplos conceitos de ergonomia, pode ser citado o seguinte: "É o estudo do relacionamento entre o homem e seu trabalho, equipamento e ambiente e, particularmente, a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento" (Ergonomics Research Society, 1949).

A ergonomia se preocupa com a análise da combinação de elementos do ambiente, o trabalho a ser realizado, a percepção dos trabalhadores em relação às condições ambientais como: temperatura, umidade, velocidade do ar, iluminação, ruído e outros. Ela tem uma atuação muito abrangente, podendo trazer benefícios importantes para a empresa e seus colaboradores.

A ergonomia não visa apenas questões relacionadas à postura adotada pelo trabalhador no local de trabalho. Ela objetiva conhecer as situações de trabalho como um todo. Por isso é necessário um conhecimento multidisciplinar. Normalmente a atuação na área de ergonomia ocorre em equipes, pois um profissional sozinho não consegue apreender todas as dimensões de uma situação de trabalho.

A ginástica laboral pode ser entendida como um conjunto de alongamentos orientados durante a jornada de trabalho, dentro da própria empresa, objetivando benefícios individuais no trabalho. Seu objetivo consiste em minimizar os impactos negativos advindos da rotina e do sedentarismo na vida do trabalhador. Essas atividades podem ser orientadas apenas por fisioterapeutas ou por educadores físicos. O que não significa que apenas eles são ergonomistas.

A literatura sobre o tema traz dados sobre os primeiros registros da prática de ginástica laboral como tendo surgidos na Polônia em 1925 sendo que os operários se exercitavam com uma pausa adaptada a cada ocupação. Alguns anos depois ela foi introduzida na Holanda e na Rússia. No início da década d e 1960, ela começou a ser praticada na Alemanha, Suécia, Bélgica e Japão. Os Estados Unidos a adotaram em 1968. Os norte-americanos criaram a International Management Review, uma importante avaliação sobre a saúde do trabalhador a partir de exercícios físicos. Nesse mesmo período, a NASA, a agência espacial dos Estados Unidos, envolveu 259 voluntários numa pesquisa, que obteve resultados significativos. Enquanto que, no Brasil, os registros pioneiros da ginástica laboral datam 1901. Algumas empresas começaram a investir em empreendimentos com opções de lazer e esporte para os seus funcionários.

Marquesini (2002) apresenta alguns tipos de ginástica laboral, sendo eles: 1) preparatória: é uma ginástica com duração geralmente de 5 a 10 minutos realizada antes do início da jornada de trabalho. Tem como objetivo preparar o funcionário para sua tarefa, aquecendo os grupos musculares que irão ser solicitados e despertando-os para que se sintam mais dispostos ao iniciar o trabalho; 2) compensatória: com duração de 10 minutos, realizados durante a jornada de trabalho, interrompendo a monotonia operacional e aproveitando pausas para executar exercícios específicos de compensação aos esforços repetitivos e às posturas forçadas solicitadas nos postos laborais e 3) relaxamento: com duração de 10 minutos, baseada em exercícios de alongamento realizados após o expediente, objetiva oxigenar as estruturas musculares envolvidas na tarefa diária, evitando o acúmulo de ácido láctico e prevenindo as possíveis lesões.

Há profissionais que atuam com a ginástica laboral que afirmam que sua prática combate e previne as lesões por esforço repetitivo e que ela funciona como uma verdadeira arma contra o sedentarismo, estresse, além de melhorar a flexibilidade, a força, a coordenação, o ritmo, a agilidade e a resistência.

Sob as considerações da NESRA - Associação Nacional de Serviços e Recreação para Empregados dos Estados Unidos, a ginástica laboral é a prática voluntária de atividades físicas realizadas pelos trabalhadores de forma coletiva, dentro do próprio local de trabalho, durante sua jornada diária que, por meio de exercícios específicos, tem como meta prevenir e/ou amenizar as doenças decorrentes da atividade que desempenham.

Atualmente, no mercado, há inúmeros formatos de programas de ginástica laboral, cabendo à empresa contratante avaliar a seriedade dos profissionais que oferecem tais serviços. Normalmente o que tem percebido em relação às formas de aplicação são: a) antes do início das atividades de trabalho, aquecendo o corpo e preparando-o para exercer a atividade laboral; b) durante a jornada de trabalho, com objetivo de distensionar e compensar a musculatura sobrecarregada pelo trabalho e c) após a jornada de trabalho, com o objetivo de relaxar a musculatura e diminuir as tensões musculares provocadas pelo trabalho.

Outra confusão que se faz ao abordar o tema ergonomia e que vem sendo amplamente divulgada em sites de recolocação de pessoal refere-se à formação do profissional que atua com ergonomia. Não são apenas os fisioterapeutas que podem atuar com ergonomia. É ergonomista todo profissional com uma graduação (médico, engenheiro, assistente social, enfermeiro, psicólogo, arquiteto, etc.) e que tenha pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado) em ergonomia.

Em outras palavras: a ergonomia não é específica do fisioterapeuta. Mesmo porque a ergonomia não aborda apenas as questões posturais ou aquelas referentes à saúde física do trabalhador. Ela é ampla demais. Haja vista que no Brasil temos excelentes engenheiros de produção que atuam de forma brilhante com ergonomia. Eles atuam em questões organizacionais em empresas dos mais variados segmentos e tem obtido resultados significativos. Para maiores esclarecimentos sobre a abordagem da ergonomia, veja a Norma Regulamentadora de número 17 (NR-17) do Ministério do Trabalho e Emprego, principalmente o seu manual de aplicação.

De uma forma bem simplificada, pode-se afirmar que a ergonomia busca conhecer o trabalho, identificar os dificultadores enfrentados pelos trabalhadores e transformar essas condições laborais de forma que haja conforto, segurança e respeito à saúde deles. Ela visa adaptar as situações de trabalho ao ser humano. A ginástica laboral, por sua vez, não persegue esses objetivos. Ela busca adaptar o trabalhador às condições nas quais ele está inserido. Por exemplo: se uma pessoa trabalha durante toda sua jornada na posição sentada, são propostos alongamentos para que o corpo da pessoa esteja adaptado a tais condições. Não é questionado o porquê de essa pessoa ter que ficar nessa posição, não são propostas mudanças na organização do trabalho, aliás, sequer se preocupa em compreender a forma como esse trabalho está organizado. Há assim uma limitação significativa, não podendo ser confundida com as ações da ergonomia.